quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Discriminações e integrações...

A cidade de Estremoz não integra melhor ou pior os “seus ciganos” do que outros aglomerados vizinhos, não há cidades ou povos mais propensos ao racismo do que outros.

O que pode haver é um conjunto de factores sociais e políticos e, principalmente, económicos que determinem o despoletar desse racismo cinzento, rasteiro e quase sempre escondido que existe em largos sectores da população. Foi assim em França com a deportação de cidadãos europeus em massa (com base num critério exclusivamente étnico) como não se via desde o tempo do nazismo…

Em Portugal, apesar da boa vontade de alguns departamentos como o ACIDI ou de ONG’s como a Amnistia Internacional ou a Obra Católica das Migrações, não há um plano coerente de integração, compreensão e apoio à comunidade cigana.

Estremoz é um bom exemplo de como a falta de salubridade e recolha deficiente de lixo nunca foi notícia nas Quintinhas, mas assim que os moradores pegaram fogo aos contentores do lixo porque ninguém os recolhia “saltaram” de imediato para a primeira página da imprensa local…

Ah! Esses ciganos…

Enquanto a comunidade estiver encurralada e encafuada em quartéis miseráveis no Bairro de Santiago ou em bairros de lata como nas Quintinhas, ou ainda por aí acampados ao deus dará, os poderes municipais olham para o lado e assobiam para o ar.

Não é de agora. A anterior gestão autárquica, e a anterior, e a que lhe antecedeu fizeram o mesmo. Nada!

Em Santiago a Câmara até pintou as paredes dos quartéis, fraco remedeio para famílias inteiras a “viver” numa área de 5x5 metros, sem água e sem esgotos…

Chama-se a isto querer tapar o sol com uma peneira.

Estas pessoas precisam é de casa.

Mas Luis Mourinha lá vai seguindo, cantando e rindo, o importante, claro está, é a praça de touros…

Reabilitação urbana? Dar casa a quem dela precisa?

Pois, pois, isso era no programa eleitoral do MIETZ. Lembram-se?

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