quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Touros com praça - Gente sem casa

Quando, mais por obrigações administrativas do que por vontade política, Luis Mourinha lança no concelho a Agenda 21 Local estava longe de incluir a praça de touros neste processo de decisão.

É muito interessante dar (aparentemente) voz às populações mas depois decidir no silêncio e no segredo dos gabinetes…

Cabe aqui referir que não sou contra as touradas. A festa brava tem tradições culturais remotas que tem o seu espaço e raízes no nosso Alentejo. Mas sou contra que os dinheiros públicos (que vem dos nossos impostos – via Lisboa ou Bruxelas) sejam gastos com touradas quando há tanta gente a precisar de casa e de acessibilidades.

É uma questão de prioridades !

A decisão de Mourinha (a pedido insistente do CDS e do PSD) de investir dois milhões e meio de euros, meio milhão dos quais da CME (como termo de comparação a CME viu cortados do seu orçamento cerca de 300 mil euros via PEC), na recuperação de um imóvel de reduzido interesse para a cidade é uma decisão que em nada dignifica o executivo e a cidade.

A verificar-se a tendência europeia de restringir a prática taurina (até em Barcelona a tourada já é proibida) vamos enterrar dinheiro em mais um elefante branco…

No centro da cidade e nos bairros históricos há pessoas que nem WC tem em casa!

O Museu da Alfaia está fechado, as associações vêm cortados subsídios com base no mau humor do Sr. Presidente, o Rossio continua um gigantesco parque de estacionamento, o mercado não abre, mas Mourinha vai-se entretendo com outras coisas, digamos, mais “imobiliárias”.

A propósito da possível utilização da praça para outros fins que não o espectáculo taurino, deixem-me rir: o parque de exposições está às moscas mas, vai daí, cria-se mais um pavilhão multiusos…

O contrato com a duração de 25 anos é lesivo dos interesses do contribuinte. O investimento proveniente de verbas destinadas à regeneração urbana é aviltante para quem não tem casa.

Estremoz volta a perder.

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