quarta-feira, 17 de março de 2010

Dar dignidade a quem vive em Santiago e nas Quintinhas


Com a falha total dos poderes autárquicos em resolver a questão da habitação em Estremoz, o Bloco de Esquerda tomou a iniciativa de propor em PIDDAC a atribuição de 1.000.000 de Euros para a reconversão destas zonas deprimidas social e culturalmente.

Bloco leva ao Parlamento a "chaga" das casas degradadas

domingo, 14 de março de 2010

Pobre Orçamento...

Pergunta o jornal ECOS se o orçamento municipal se justifica.
Estremoz tem sido tão maltratada que até se justificava o dobro da verba proposta!
O problema não é esse.
O que é necessário saber é se o Município de Estremoz tem capacidade para gerar receitas que cubram estas despesas.
Vai-se endividar? Vai vender património municipal?
Não conheço em detalhe o Orçamento apresentado porque com este executivo municipal a informação não chega aos cidadãos. Por exemplo: no site da CME o último documento de gestão publicado, data de … Setembro de 2009 !!
Outros municípios vizinhos disponibilizam todos os documentos em discussão assim como os já aprovados nos respectivos órgãos.
Mas voltemos ao Orçamento para 2010.
Todos os investimentos propostos são geralmente simpáticos e necessários, porém há um que me cheira a teimosia e fanfarronice: a Zona Industrial de Arcos.
Numa conjuntura de grave crise económica, de isolamento face ao Terreiro do Paço e ao litoral em geral (não sei se o “projecto corredor azul” vai resolver este problema), numa situação em que os empresários não pensam em investir, numa zona isolada e sem tradições industriais, num contexto de deslocalização acelerada de indústrias para outros “paraísos laborais”, Luis Mourinha acredita piamente que a indústria vai florescer na freguesia dos Arcos !!!
Se olharmos para outras zonas industriais da mesma área geográfica teremos uma visão bem concreta do que irá ser esta Zona Industrial.
Por outro lado, falta a este Orçamento uma preocupação social para com as famílias que vivem em condições infra-humanas no concelho: falo principalmente dos reformados e idosos, dos jovens à procura de habitação para constituir família. Falo dessas duas chagas abertas no coração da cidade que são o Bairro de Santiago e as Quintinhas.
Para estes munícipes o Orçamento de Mourinha não tem uma palavra de esperança.
Vão continuar a viver nos quartéis e nas barracas, sem água, sem luz, sem esgotos, sem esperança…
É por saber que iria ser assim, que o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda inscreveu na sua proposta de PIDDAC a verba de 1.000.000 de euros para a recuperação destes bairros. Já sabemos a posição de Mourinha. Aguardamos agora a decisão de Sócrates…

Luis Mariano

Geminação Montargil - Olivença

Ao defender a cultura portuguesa que mesmo decorridos séculos é parte inseparável das raízes oliventinas, a Associação Além Guadiana está igualmente a prestar um relevante serviço em especial à memória do povo alentejano. «Não nos podemos esquecer que aos dois séculos de soberania espanhola se contrapõem cinco séculos de soberania portuguesa» e que querer varrer da memória colectiva de UM POVO as suas tradições - estamos a falar em termos "etnofolclóricos" - é um crime de lesa cultura. Até porque a "verdade antropológica" desse mesmo povo nada tem a ver com questões de soberania.

Chamam a Olivença a cidade das duas culturas, o que pode significar uma enorme riqueza cultural, se a sua junção se fez naturalmente, por obra e graça da vontade popular, sem quaisquer peias, sem quaisquer amarras de ordem política a qual, sendo embora a ciência que governa o povo, não coabita lá muito bem com as coisas do espírito.

Entretanto, e mudando de assunto, não conheço Olivença, nunca estive em Olivença, mas em Montargil esteve um oliventino, o conceituado médico Dr. José Guerrero, que pela sua postura humanista, tendo em cada utente um amigo, ao partir deixou saudades. E estou convicto, só o seu apego à família - todos os dias ia ficar a casa - o levou a ir para mais perto.

Que me seja, pois, permitido saudá-lo, aqui de Montargil, deste pedaço do Alentejo que um historiador e um sociólogo consideraram «ser a junção da alma alentejana com a charneca ribatejana».

Lino Mendes

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Quando se regressa a casa a partir das 23,30h e se viaja a partir da estação de Entrecampos, basta um simples olhar de soslaio para se constatar que são elas a esmagadora maioria das passageiras.
São trabalhadoras de serviços menos qualificados, limpezas, serviço doméstico, ajudantes de cozinha, muitas delas imigrantes moradoras nas zonas periféricas da cidade de Lisboa ou da margem sul.
E, se fizermos o percurso matinal, desde os barcos de Cacilhas aos comboios de Sintra, do Barreiro ou de Setúbal encontraremos quadro semelhante a partir das 6,30 da manhã.
No Desemprego...
Quando olhamos para as estatísticas do desemprego verificamos que elas são a maioria dos desempregados (63%) das mais elevadas da Europa. Tal situação verifica-se tanto na procura do primeiro emprego como na procura de novo emprego.
A cada dia que passa, é mais difícil decifrar o impacto da taxa de desemprego nas mulheres.
São as trabalhadoras da Alisuper, da Maconde, da Lear, e de tantas e tantas empresas têxteis de vestuário e calçado, de tantas e tantas empresas de serviços e de hotelaria, as primeiras a receber a "carta" que dita o seu despedimento.
São as jovens mulheres licenciadas as que mais dificuldades têm de ingressar na profissão compatível com o seu grau académico.
Na discriminação salarial...
Quando olhamos para os salários em Portugal verificamos que elas recebem menos 18,7% do que os homens.
E, não se pense que é apenas no tão falado sector da cortiça que tal discriminação existe. Neste sector o escândalo ultrapassa os limites, porque a discriminação, para além de instituída pelo patrão, tem sido sindicalmente consentida e ilegalmente confirmada pelo Ministério do Trabalho. As desigualdades salariais também ocorrem desde os gestores aos estagiários. No primeiro caso o valor é de 2.342,8€ para os homens, e 1.660,7€ para as mulheres. No segundo caso e de 482,5€ contra 453,1 para homens e mulheres respectivamente.
Na representação...
Quando olhamos para os cargos de topo do Estado e da Administração Pública as desigualdades tornam-se evidentes, apenas alguns exemplos; No Governo elas são 10 em 55; no Conselho de Estado 1 em 18; na AR 68 em 230; na presidência das Autarquias 21 em 308.
Na Administração Pública são apenas 28,9% nos cargos de topo, quando nos níveis inferiores são a esmagadora maioria.
Na violência doméstica...
Mas a vergonha maior está nos dados dos últimos seis anos em matéria de violência doméstica: 201 mulheres mortas às mãos dos seus maridos ou companheiros.
São de todos os extractos sociais. A violência doméstica não tem classe social ou etnia próprias, como o não têm quaisquer outras formas de opressão sobre as mulheres.
E é porque esta realidade crua e dura que, atravessando um século de história, continua teimosamente a persistir, não obstante avanços inquestionáveis que se têm vindo a fazer, que hoje 8 de Março de 2010 a exigência é a de recolocar o feminismo na ordem do dia.
A superação da sociedade patriarcal parida e aprofundada pelo capitalismo é inquestionavelmente uma das condições da esquerda socialista, não circunscrita apenas a um partido ou espaço nacional.
Abusando um pouco de Marx direi que o comando terá que ser " Mulheres de todo o Mundo UNI-VOS".
Mariana Aiveca - Deputada do Bloco de Esquerda

quinta-feira, 4 de março de 2010

Teatro Legislativo na Universidade de Évora

Dia 9 de Março pelas 20.00 horas no Auditório 1 do Colégio Luis Verney da Universidade de Évora, o deputado do BE José Soeiro e restante equipa vão "levar à cena" mais um episódio do teatro legislativo...

terça-feira, 2 de março de 2010

Catarina Martins em Évora

Teatro Garcia de Resende 4 de Março 21,00 horas

Nos últimos 10 anos Portugal assistiu a alterações profundas na dinâmica cultural do país, que não foram, no entanto, acompanhadas do necessário investimento financeiro, nem de corpo legislativo que assegurasse o serviço público que se exige nesta área.
O Bloco de Esquerda assumiu como eixos prioritários na política cultural o acesso das populações à fruição de bens culturais e a meios de produção artística e cultural, a salvaguarda do património cultural material e imaterial, e os direitos laborais dos profissionais do sector cultural.
Estes eixos exigem a tomada de posições, e a elaboração de iniciativas legislativas, relativas a modelos de financiamento da cultura, cartas de missão de equipamentos culturais e estatuto e certificação profissionais.
Para que este percurso ambicioso se faça com conhecimento do terreno e com os contributos dos agentes culturais locais e nacionais, a deputada Catarina Martins, responsável pela área da Cultura na Assembleia da República, irá promover um conjunto de sessões públicas descentralizadas sobre política cultural, percorrendo os vários distritos do país, entre os meses de Janeiro a Março.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda e o Bloco de Esquerda do Distrito de Évora gostariam, deste modo, de o/a convidar a estar presente na sessão pública a realizar no próximo dia 4 de Março no Teatro Garcia de Resende pelas 21.00 horas.
Nesta sessão debateremos questões relacionadas com a criação de cartas de missão para os equipamentos culturais, incluindo definição de objectivos de programação, serviços pedagógicos, requisitos técnicos e humanos, contratos-programa de financiamento e concursos para direcção, assim como questões relativas ao equilíbrio entre regulamentação nacional e autonomia local, regulamentação de redes e financiamentos directos e indirectos à criação e difusão artística.

Olivença: As décimas do Carlos Luna

I

Isso vê-se na sua Arte

Onde se guarda a memória.

Em cada canto é notória

A sua Portugalidade.

E não é por vaidade,

A todos dá uma lição;

Que não haja confusão:

OLIVENÇA É UMA CIDADE.

II

Em cada rua escondida,

Na velha malha urbana

Parede ou nicho se ufana

De lusa ser nascida.

Mesmo que perseguida

A sua original pureza,

Uma coisa é uma certeza

E há que ter em atenção:

Olivença é povoação

ONDE ABUNDA A BELEZA!

III

Muitos vão ao engano

E não vêem claramente

Que está sempre presente

O seu estilo alentejano

Em todo o casario raiano.

Não é apenas saudade!

É não ver a realidade,

E há que vê-la de frente.

Tudo seria diferente

COM POLÍTICA DE VERDADE!

IV

Esconde-se na mentira

O que se deveria saber:

Há quem queira esconder

(do Minho até Tavira)

E perdoar a quem tira.

Espanha, não é Nobreza

Mas um sinal de Avareza

Manter assim a ofensa:

Esta terra de Olivença

DEVERIA SER PORTUGUESA

Estremoz, 02-Março-2010

Carlos Eduardo da Cruz Luna