terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tributo a José Afonso


A morte nunca deveria ser notícia. Mas foi. Em Fevereiro de 87 toda a comunicação social noticiava a morte do maior compositor da música portuguesa.
José Afonso tornou-se símbolo da alvorada de Abril por mérito próprio. Ele foi a voz da juventude não rasca. Foi a voz dos que combateram a ditadura com as armas do pensamento. Da inteligência. Foi a voz da cultura alternativa. Foi a voz.
Morreu numa manhã fria de Fevereiro. Hoje sentimos que afinal ele continua por aí. Na voz dos novos autores. Nas melodias dos novos grupos.
Continuamos com a sua música, porque a sua música é nova, e a sua poesia não é letra morta.
Vamos continuar a lutar pela qualidade dos produtos culturais, como ele o fez.
O lixo sonoro, literário e social que polui os nossos sentidos, que se lixe!
Vamos comemorar a inteligência. A mais nobre demonstração de cidadania.
A 23 de Fevereiro de 1987, em pleno Inverno mas no Outono da vida, morreu Zeca Afonso.
Num leito anónimo do Hospital de Setúbal, pelas 3 horas da madrugada, morreu o cantor, morreu o amigo, morreu o companheiro, morreu o Zeca.
Relembrar o Zeca hoje é mais que tudo isto. É, sobretudo, lembrar as suas últimas palavras:
"Não posso parar".
Por isso empunhamos a tua bandeira porque a luta continua, serena e firme, contigo bem vivo junto de nós, Zeca Afonso.
Manuel Silvestre

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