quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nem o Mercado abre nem a gente almoça...

Independentemente da justeza da medida, que naturalmente teria como objectivo compensar os vendedores pela baixa de negócio durante as obras de remodelação da praça do peixe, o que verdadeiramente está em causa é a irresponsabilidade da gestão municipal perante o deslizar da obra.

Independentemente também das concepções paisagísticas ou arquitectónicas do projecto, o Mercado está construído e deveria abrir de imediato.

Se há problemas a resolver, então que se resolvam e se informe a população e os principais interessados (os vendedores e os consumidores) sobre a natureza, causas e extensão do problema.

Mas o que, quanto a mim, este problema revela – e isso é o mais importante – é o facilitismo com que se gerem os dinheiros públicos, numa interminável sucessão de disparates técnico-burucráticos em que o munícipe sai sempre a perder.

É fácil gerir com o dinheiro dos outros e o Município de Estremoz tem demonstrado nos últimos mandatos (Mourinha/CDU + Fateixa/PS + Mourinha/Mietz) um facilitismo e uma tendência para o endividamento que não ajudam, em nada, ao desenvolvimento do concelho.

O centro histórico está a cair mas criam-se novas áreas de construção a leste da cidade. Não há dinheiro para nada mas vai-se arranjar algum para a praça de touros. As barracas do Rossio não enobrecem a cidade mas o Mercado não abre. Anulam-se obras estruturantes e dá-se primazia à compra desenfreada (e ferida de várias ilegalidades) de imóveis.

As freguesias não se desenvolvem. Tudo continua a girar à volta do Rossio…

A questão da não abertura do Mercado é apenas mais um exemplo: Está quase a fazer dois anos que se paga uma compensação aos vendedores de peixe. Mas a realidade é que se está a acabar com um negócio útil para a cidade e a afastar os consumidores do mercado tradicional.

Discriminações e integrações...

A cidade de Estremoz não integra melhor ou pior os “seus ciganos” do que outros aglomerados vizinhos, não há cidades ou povos mais propensos ao racismo do que outros.

O que pode haver é um conjunto de factores sociais e políticos e, principalmente, económicos que determinem o despoletar desse racismo cinzento, rasteiro e quase sempre escondido que existe em largos sectores da população. Foi assim em França com a deportação de cidadãos europeus em massa (com base num critério exclusivamente étnico) como não se via desde o tempo do nazismo…

Em Portugal, apesar da boa vontade de alguns departamentos como o ACIDI ou de ONG’s como a Amnistia Internacional ou a Obra Católica das Migrações, não há um plano coerente de integração, compreensão e apoio à comunidade cigana.

Estremoz é um bom exemplo de como a falta de salubridade e recolha deficiente de lixo nunca foi notícia nas Quintinhas, mas assim que os moradores pegaram fogo aos contentores do lixo porque ninguém os recolhia “saltaram” de imediato para a primeira página da imprensa local…

Ah! Esses ciganos…

Enquanto a comunidade estiver encurralada e encafuada em quartéis miseráveis no Bairro de Santiago ou em bairros de lata como nas Quintinhas, ou ainda por aí acampados ao deus dará, os poderes municipais olham para o lado e assobiam para o ar.

Não é de agora. A anterior gestão autárquica, e a anterior, e a que lhe antecedeu fizeram o mesmo. Nada!

Em Santiago a Câmara até pintou as paredes dos quartéis, fraco remedeio para famílias inteiras a “viver” numa área de 5x5 metros, sem água e sem esgotos…

Chama-se a isto querer tapar o sol com uma peneira.

Estas pessoas precisam é de casa.

Mas Luis Mourinha lá vai seguindo, cantando e rindo, o importante, claro está, é a praça de touros…

Reabilitação urbana? Dar casa a quem dela precisa?

Pois, pois, isso era no programa eleitoral do MIETZ. Lembram-se?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Touros com praça - Gente sem casa

Quando, mais por obrigações administrativas do que por vontade política, Luis Mourinha lança no concelho a Agenda 21 Local estava longe de incluir a praça de touros neste processo de decisão.

É muito interessante dar (aparentemente) voz às populações mas depois decidir no silêncio e no segredo dos gabinetes…

Cabe aqui referir que não sou contra as touradas. A festa brava tem tradições culturais remotas que tem o seu espaço e raízes no nosso Alentejo. Mas sou contra que os dinheiros públicos (que vem dos nossos impostos – via Lisboa ou Bruxelas) sejam gastos com touradas quando há tanta gente a precisar de casa e de acessibilidades.

É uma questão de prioridades !

A decisão de Mourinha (a pedido insistente do CDS e do PSD) de investir dois milhões e meio de euros, meio milhão dos quais da CME (como termo de comparação a CME viu cortados do seu orçamento cerca de 300 mil euros via PEC), na recuperação de um imóvel de reduzido interesse para a cidade é uma decisão que em nada dignifica o executivo e a cidade.

A verificar-se a tendência europeia de restringir a prática taurina (até em Barcelona a tourada já é proibida) vamos enterrar dinheiro em mais um elefante branco…

No centro da cidade e nos bairros históricos há pessoas que nem WC tem em casa!

O Museu da Alfaia está fechado, as associações vêm cortados subsídios com base no mau humor do Sr. Presidente, o Rossio continua um gigantesco parque de estacionamento, o mercado não abre, mas Mourinha vai-se entretendo com outras coisas, digamos, mais “imobiliárias”.

A propósito da possível utilização da praça para outros fins que não o espectáculo taurino, deixem-me rir: o parque de exposições está às moscas mas, vai daí, cria-se mais um pavilhão multiusos…

O contrato com a duração de 25 anos é lesivo dos interesses do contribuinte. O investimento proveniente de verbas destinadas à regeneração urbana é aviltante para quem não tem casa.

Estremoz volta a perder.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sobre o preço do Gasóleo

A formação dos preços dos produtos petrolíferos no nosso país (para além do ISP e do IVA) deve-se ao permanente fechar de olhos dos sucessivos governos perante os desmandos dos grandes impérios petrolíferos.

Em primeiro lugar pagamos um preço enorme em vidas no Iraque (mais de 120.000 mortos por causa do petróleo) e um preço irreversível em crimes ambientais como recentemente no Golfo do México.

Mas voltemos aos preços: para além de só a Grécia ter preços superiores aos nossos, mesmo o que pagamos após impostos faz de nós o quinto país a pagar o peço (PVP) mais elevado da união europeia, sendo que nos últimos doze meses aumentou 15%.

E se é verdade que se as sucessivas portarias que regulamentam o ISP tem feito subir este imposto (Em 2004 era de 0,2998 €/lt e em 2008 era de 0,3644 €/lt…) não é menos verdade que a voragem e cartelização das petrolíferas fazem o resto.

Quem fica a perder são os utentes e a economia que fica cada vez menos competitiva face ao exterior.

(Também o gás desceu de preço 16% na união europeia e apenas 5,5% em Portugal).

Em 2008 assistimos à farsa das investigações da Autoridade da Concorrência face à cartelização dos preços com o primeiro governo Sócrates a fazer de ingénuo face ao problema. Mas seria necessário fazer uma investigação ou bastava percorrer a auto-estrada entre Braga e Faro para perceber que os preços entre todas as companhias eram os mesmos?

Ontem a Galp decidiu vender gasóleo ao preço dos supermercados (só em alguns sítios e à experiência): o preço a praticar será… igual ao da BP !

Mais trabalho para a AdC…

Reclama-se agora que os preços dos refinados não acompanham o preço do barril de crude: mas já se esqueceram que o produto é comercializado em dólares e na Europa as petrolíferas ganham milhões só no câmbio?

Com a desvalorização da moeda norte americana, a subida do crude em euros é cerca de 1/3 da subida do preço em dólares. Não tem razão pois, as petrolíferas que vendem na Europa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

As nossas prioridades

O Bloco não terá o que noutras latitudes se chama a “reentrè” pela simples razão de que não parou. Mais de quarenta comícios de verão atestam o empenho do BE em tomar um papel activo no esclarecimento da opinião pública e na denúncia dos acordos entre PS e PSD no que toca ao PEC 1 e 2 e, em breve ao PEC 3.

Este é o nosso primeiro compromisso com o eleitorado: disputar a opinião pública e participar na construção de maiorias sociais de esquerda.

Este juntar de forças para lutar contra as medidas de austeridade e contra a ideologia do sacrifício é a primeira condição para alargar esta maioria social de esquerda tão necessária à aplicação de medidas justas e equilibradas de desenvolvimento e distribuição de riqueza.

De entre estas medidas destaco a taxação efectiva de 25% de IRC para a banca; um plano nacional de reabilitação urbana que gere emprego e acabe com este ciclo de especulação entre banca e empreiteiros, que crie habitação para quem dela precise e melhore as condições de vida nas cidades; a taxação das grandes fortunas como meio de financiar a Segurança Social; a taxação das transferências para os off-shores (a este respeito, só no primeiro semestre deste ano “voaram” em direcção aos paraísos fiscais, onde não pagam impostos, 1,2 mil milhões de euros).

O Bloco vai ainda batalhar no Parlamento pela criação de um banco de terras gerido pelo Estado que dê a possibilidade às novas gerações de se dedicarem à agricultura, que penalize o abandono das terras e que valorize a produção agrícola nacional.

A eleição presidencial será outra das nossas prioridades. Vamos bater-nos pela eleição de Manuel Alegre, “um candidato independente, com voz própria em relação ao que foi a trajectória da austeridade e que centra a sua campanha na defesa dos mais frágeis da sociedade portuguesa" como recentemente referiu F. Louçã em entrevista ao DN.

São estas as prioridades do BE para o ciclo político que se avizinha.

Luis Mariano

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O "nosso" 38...

Na campanha eleitoral autárquica dizia o agora presidente da Câmara que o heliporto / base dos Canarinhos estava ilegal pois não constava do PDM...
Pois... mas lá que dá jeito dá...
Ele há coisas...
















Museu da Alfaia, uma questão menor...

Quem ler as declarações grandiloquentes de Luis Mourinha ao suplemento do Expresso (31/07/10) fica com a noção de que a nossa cidade é um oásis de planeamento, limpeza, oferta turística e recuperação patrimonial…

Por cá, a limpeza é o que se vê, as ervas crescem (serão as zonas verdes prometidas?) e os edifícios estão em ruínas!

Mourinha fala em 12 milhões para a regeneração urbana sendo o grande objectivo deste investimento a criação de condições propícias à captação de turistas.

Todavia, o anunciado nos jornais da capital é desmentido no Largo do Espírito Santo, no Bairro de Santiago, no Bairro do Castelo e na Rua de Reguengos.

O edifício que ainda ostenta na fachada a sigla da FNPT, está ferido de morte devido à incúria de Mourinha 1, Fateixa e Mourinha 2. A memória da vida dura dos trabalhadores rurais, seus costumes e dificuldades, da maquinaria agrícola, da vida do campo que os mais novos desconhecem, toda esta memória que faz indelevelmente parte do nosso património “genético” tem sido tratada como uma questão menor.

Primeiro estiveram os repuxos em pleno Lago do Gadanha, os planos de alteração da baixa da cidade, as obras de fachada (sempre à volta do edifício da Câmara, pois claro), as iluminações cénicas, etc, etc.

A compra de imóveis não contemplou o Museu da Alfaia. Olhando para as declarações de Mourinha, não estou a ver como é que o Batanete ou o Círculo são investimentos para atrair turistas…

Mas parece que a moda quer pegar: em Évora o Centro de Artes Tradicionais vai albergar a colecção privada de Paulo Parra e mudar de nome para Museu do Design. Premonição? A ver vamos…

Em Estremoz parece que um acervo de tamanha importância está destinado a ser atirado para um canto (silos) e o edifício ser “aproveitado” para algum fim misterioso…

O Bloco defende que o Museu da Alfaia deveria ser alvo de um projecto de regeneração e recuperação (edifício e acervo), de modo a garantir o brilho e utilidade de outros tempos.

Luis Mariano

domingo, 25 de julho de 2010

Cortar o 13º mês ? O que virá a seguir? Baixar os salários?

As agências de “ratting” tem cortado significativamente a apreciação de capacidade económica (os parâmetros são deles, não meus…) a países como a Grécia, Irlanda e Portugal.

Esta avaliação em “baixa” destina-se a “avisar” os especuladores mundiais (neste caso bancos americanos e alguns europeus) sobre os próximos “raids” a efectuar sobre economias soberanas, democraticamente organizadas, públicas e independentes.

Os países alvo da rapina tem de tomar medidas para fazer face a juros de dívida cada vez mais altos. Tem de realizar encaixes financeiros que lhes permitam pagar esses juros aos tais bancos de bico amarelo e penas pretas.

Para colectar esse meios financeiros (graveto, pilim, massa, em resumo: dólares) os governos tem de o ir buscar ao Orçamento Geral do Estado (ou na sua versão correctiva ao Plano de Estabilidade e Crescimento).

Mas o país está dividido entre ricos e pobres (nota: rico não é o trabalhador/a por conta de outrem mesmo que ganhe três mil euros por mês, mas os proprietários que auferem de lucros de centenas de milhar de euros…) e a crise deverá ser suportada numa base percentual, isto é: quem mais ganhou nestes últimos anos mais terá que desembolsar para pôr o comboio nos trilhos…

(Sugestão: Belmiro de Azevedo, Jerónimo Martins, Amorim, etc…)

A seguir ao ataque aos/às funcionários públicos virá a sanha dos privados contra os “seus” trabalhadores…

Napoleão Bonaparte dizia que as baionetas servem para tudo menos para nos sentarmos em cima delas.

Os impostos também.

Principalmente para ocultar a incapacidade dos partidos da direita em governar este povo que trabalha e que contribui para o bem estar geral.

(Já agora: porque é que as SCUT são taxadas por categoria e não por preço de venda da viatura? Tenho um Ford Fiesta que paga o mesmo que um Mercedes: É isto o utilizador – pagador de Passos Coelho e Sócrates?)

Precisam de mais dinheiro? Tenham a coragem de o ir buscar a quem o tem…

Luis Mariano

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Jornadas sobre o Alentejo


Jornal E: assim não...

Chegou-me à caixa do correio o nº 5 do Jornal E.
Logo na página 2, o coordenador do BE – Francisco Louçã – é brindado com uma nota (em baixa) sobre a nomeação da sua mãe para assessora do BE no Parlamento.
Sabemos que um mail malicioso, despropositado e mentiroso tem circulado como “grande novidade” no ciber espaço.
Não foram as tais “letrinhas pequenas do DR”…
Mas que se faça jornalismo de copy / paste sem se verificarem as fontes e se publique assim sem mais nem menos, é de lamentar.
Bastava o “jornalista” ter simplesmente clicado no link para perceber que estava perante uma falácia…
Transcrevo o despacho emanado:

Despacho (extracto) n.º 5296/2010
Por despacho de 15 de Outubro de 2009 do presidente do Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda:
Licenciada Noémia da Rocha Neves Anacleto Louçã — nomeada,
nos termos do n.º 6 do artigo 46.º da Lei de Organização e Funcionamento
dos Serviços da Assembleia da República, republicada pela Lei
n.º 28/2003, de 30 de Julho, para a categoria de assessora do Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda, sem qualquer remuneração.
1 de Fevereiro de 2010. — A Secretária -Geral, Adelina Sá Carvalho.
203047263

Assim como o link para vossa verificação:


A mãe do Francisco Louçã é advogada e sempre colaborou na área jurídica desde que o BE se formou como partido político.
Nunca recebeu qualquer remuneração por isso, porque é reformada e, como é prática no BE, não se acumulam apoios estatais.
Quanto ao facto de a Senhora ter 79 anos e a sua idade vir acompanhada por um ponto de exclamação entre parêntesis, não nos vamos prenunciar porque a falta de educação não é assunto para esta nota.
Se o “jornalista” do Jornal E quer procurar casos verídicos destes, terá de procurar noutros partidos.

Assim, para além do desmentido formal com – pelo menos com o mesmo espaço e na mesma página do próximo número – exigimos um pedido formal de desculpas do jornalista assim como da direcção desse jornal.
Não vamos apelar ao direito de resposta definido legalmente por termos a certeza de que esta situação se resolverá pela forma proposta.

Luis Mariano Guimarães

domingo, 13 de junho de 2010

E há dinheiro para tudo?

Parece-me notável que a maioria camarária consiga tomar uma decisão desta envergadura sem apontar um caminho alternativo.

Como se esta decisão apenas envolvesse e afectasse os quatro cidadãos que assim votaram em reunião de câmara.

No seu programa eleitoral o MIETZ propunha “renegociar o actual sistema de gestão e abastecimento de água” o que é diferente de rescindir o contrato sem qualquer alternativa visível.

Não basta também afirmar que quem vai pagar a indemnização é quem assinou o contrato: isso é pura demagogia! Sabemos que todos vamos pagar…

Por uma questão de transparência, Luis Mourinha devia informar os munícipes sobre as alternativas contratuais propostas à empresa Águas do Centro Alentejo. De seguida devia informar qual a alternativa a propor ao concelho.

Fora de um sistema inter-municipal de abastecimento de água são precisos muitos euros de investimento para viabilizar uma solução minimamente credível.

O Bloco de Esquerda apela à Assembleia Municipal de Estremoz que questione o executivo sobre qual a alternativa à rescisão deste contrato.

Sabemos também que o PEC veio reduzir em 100 milhões o bolo autárquico, que a receita dos municípios se situa 48 milhões abaixo dos resultados de 2008 e que o aumento do IVA aumenta em cerca de 34 milhões de euros (despesas correntes e de capital) a despesa das autarquias.

Estas medidas do Governo estrangulam todas as Câmaras. Estremoz não vai ser excepção.

Mas Luis Mourinha lá vai cantando e rindo: compra o Batanete, compra o Círculo, indemniza a Águas do Centro Alentejo, endivida-se em mais de 1.600.000 € sem explicar a ninguém como vai pagar.

Num quadro de grave crise económica esperava-se da autarquia um plano ousado de recuperação de casas degradadas que desse emprego aos pequenos empresários da construção civil, que melhorasse o aspecto da cidade e desenvolvesse o turismo, que desse casa a quem dela precisa…

Entretanto a cidade continua a cair aos bocados…

Até quando?


O médico cirurgião saharaui Abbas Mohamed Chej Sbai foi preso pela polícia marroquina


A polícía judiciária marroquina de Casablanca, Marrocos, deteve hoje, sexta-feira 11 de junho de 2010, o Dr. Abbas Mohamed Chej Sbai, cidadão saharaui de 55 anos, quando este se encontrava num hotel da ciudad de Ain Diab, local de onde foi levado para o quartel da polícia e entregue a um escuadrão especial da gendarmería marroquina sem que a sua família saiba as razões da sua detenção.
O Dr. Abbas Mohamed Sheikh Sbai fora já detido no ano de 2006 por membros da gendarmeria de Marrocos e apresentado ante o Tribunal de Primeira Instância de Bzakurt sendo condenado no dia seguinte a uma pena de prisão efectiva de 6 meses de encarceramento. A pena foi posteriormente reduzida a 3 meses pelo Tribunal de Apelação de Ouarzazate após o médico ter entrado em greve de fome que se prolongou por 39 dias. No seguimento de muitas mobilizações levadas a cabo por várias organizações internacionais em solidariedade com a sua causa em muitas capitais europeias, Marrocos acabou por o libertar no dia 10 de Março de de 2006 antes de terminar a pena de prisção no presídio de Ouarzazate.
Segundo o testemunho do próprio Dr. Abbas Mohamed Chej Sbai, em 1999 começou a receber diversas provocações e perseguições por parte das autoridades marroquinas com o fito de impedir que montasse o seu negócio de turismo na localidade de Mhamid Elguizlan.
Segundo a sua família a actual detenção prende-se com as cousas que estiveram na origem do seu primeiro encarceramento, como vingança por parte das autoridades marroquinas.
O Dr.Abbas Mohamed Chej Sbai, nascido em 1955, tem nacionalidade suíça e é casado com uma cidadã desse país europeu. Tem dois filhos de 15 e 16 anos. É doutorado em medicina, com a especialidade de de cirurgia e trabalhou em saúde pública na Suíça durante 12 anos, entre 1987 e 1999.

El Aaiun territóios ocupados, 11 de Junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

Não somos as claques de Futebol ...!

Após a Manifestação do passado Sábado passado houve um "sururu" nas Portas de Santo Antão.
Alguns manifestantes provocados por este senhor com cara de arruaceiro e cassetete extensível na mão (agente da PSP à paisana) envolveram-se em breves confrontos até chegar a polícia de choque.
Agora também vamos ter agentes infiltrados e provocadores nas manifestações sindicais?

Bailinho das Medalhas ?

Faz sentido comemorar o dia 10 de Junho?
Sim, faz sentido… desde que o nosso Presidente da República não lhe volte a chamar o Dia da Raça como no ano passado.
Esperemos que este ano seja comemorado o Dia de Portugal e das Comunidades.
Espero também que os ecos da manifestação do passado dia 29 em Lisboa ainda se façam sentir em Belém e S. Bento.
É sobre isto que é necessária uma reflexão: desfilaram na capital cerca de 1/3 do eleitorado do BE e CDU!
Ora por muita organização que haja, nenhum partido coloca na rua tanta gente. Foram 300.000 a recusar liminarmente as soluções propostas pela dupla PS / PSD e, como está bom de ver, os manifestantes iam muito para lá do eleitorado de esquerda…
E é isto que deveria ser o pano de fundo do próximo 10 de Junho. Quantas medalhas irão brilhar, luzidias, no peito de quem tanto contribuiu para esta crise?
Quantos homenageados verão consagrados os seus esforços – conseguidos – de cimentar um regime, que embora politicamente democrático é desigual e marginalizante?
Vamos pois comemorar a falta de contrapartidas dos submarinos de Portas, o pântano de Guterres, o monstro de Cavaco, a crise de Sócrates?
Vamos comemorar o quê?
Este Portugal dos 600.000 desempregados e dos multimilionários da lista Forbes, dos idosos sem assistência médica, do insucesso escolar, dos salários mais baixos da Europa?
E depois, mais para o fim do dia, à hora dos telejornais, veremos as mesmas caras de sempre a falar deste Portugal liiiiindoooooooo de morrer, das belas praias e monumentos sem igual.
Veremos os que ocuparam as cadeiras do poder nos últimos 35 anos (Cavaco, Sócrates, Portas, Coelho, etc) a dizerem que o país está assim por causa da crise que eles próprios ajudaram a criar e… do PREC de 1975!
Nós por cá passaremos o 10 de Junho a “resmungar” como dizia, incomodado, um analista da nossa praça.
Sim: continuaremos a resmungar até que a voz nos doa e enquanto não houver justiça, igualdade e fraternidade neste país que agora se comemora.

Luis Mariano


Aos poucos se vai avançando...

OLIVENÇA RECUPERA AS SUAS RUAS

A Câmara Municipal de Olivença começou a recuperar os antigos nomes em português das ruas da localidade. A iniciativa parte da associação cultural Além Guadiana, que há um ano apresentou à Câmara e aos diferentes representantes políticos de Olivença um projeto pormenorizado para a valorização da toponímia oliventina, com unânime aceitação.

O projeto contempla a adição dos antigos nomes das ruas aos atuais, mantendo a mesma tipologia e estética nas placas. Assim, resgatam-se as denominações das ruas, dos becos, das calçadas, etc., que configuram o extenso casco histórico encerrado nas muralhas abaluartadas, com um total de 73 localizações. Tudo irá acompanhado de um simbólico ato inaugural e da edição de brochuras turísticas bilingues.

A maior parte da toponímia urbana de Olivença foi substituída ou modificada na primeira metade do século XX, embora alguns dos nomes continuem a ser utilizados pela população apesar das alterações, como nos casos da rua da Rala, da rua da Pedra, da Carreira, etc.

Os antigos nomes das ruas falam-nos do passado português da “Vila”, como popularmente é conhecida a cidade, desvelando aspetos diversos, amiúde desconhecidos, da sua história.
Estes remontam a séculos atrás, muitos deles à Idade Média, aludindo a pessoas ilustres da História, a antigos grémios de artesãos, a santos objeto da devoção popular ou à fisionomia das ruas, entre outros aspetos. A rua das Atafonas, a Calçada Velha, o Terreiro Salgado e o beco de João da Gama” são alguns exemplos.

Com esta iniciativa pretende-se, enfim, realçar um interessante componente da rica herança cultural oliventina, a toponímia, contribuindo para testemunhar a história partilhada deste concelho e para a tornar visível em cada recanto intramuros. Os nomes ancestrais dos espaços públicos conformam uma janela que convida a assomar-se e a explorar a apaixonante história de Olivença. Expressados na sua originária língua portuguesa, constituem o testemunho vivo de uma cidade onde se respiram duas culturas e são um veículo que encoraja os mais novos a manter a língua que ainda falam as pessoas mais velhas do município. Para a associação Além Guadiana, trata-se de uma iniciativa com fins didáticos, culturais e turísticos, com a qual se resgata para o presente uma parte do passado oliventino.

DIÁRIO DO SUL

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Juventude rasca? Enorme José Soeiro - 22 anos de idade...

Bloco questiona Governo sobre encerramento do Museu do Artesanato em Évora

O Centro de Artes Tradicionais / Antigo Museu do Artesanato constitui uma referência etnográfica da região do Alentejo, espaço de divulgação de um invulgar legado da memória dos costumes e tradições alentejanas e da história de um povo. Instalado desde 1962 no edifício do antigo Celeiro Comum, esteve encerrado entre 1991 e 2007, altura em que reabriu com a designação de Centro de Artes Tradicionais e depois de obras de renovação e adaptação que ascenderam a aproximadamente um milhão de euros, verba obtida através de fundos públicos nacionais e comunitários.
Menos de 3 anos após reabertura, a Câmara Municipal de Évora aprovou um com a Entidade Turismo do Alentejo para a criação do Museu do Design em Évora – Colecção Paulo Parra, a instalar no actual Centro de Artes Tradicionais ao arrepio do investimento público havido naquele espaço para a reabertura do Antigo Museu do Artesanato e sem que tenha sido apresentada solução alternativa para o seu acervo.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questiona o Governo, através do Ministério da Cultura e do Ministério da Economia e da Inovação, sobre o futuro do Museu do Artesanato e o desbaratar do investimento público recente na sua requalificação e requer à Câmara Municipal de Évora cópia dos estudos que fundamentam a substituição do Centro de Artes Tradicionais /Antigo Museu do Artesanato pela criação do Museu do Design em Évora – Colecção Paulo Parra, bem como cópia do Protocolo tripartido entre a edilidade eborense, a Entidade Turismo do Alentejo e Paulo Parra, aprovado em reunião de Câmara no passado mês de Março.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda

Francisco Louçã no Alandroal

Amnistia Internacional: sempre!

Em mais um aniversário da Amnistia Internacional, o Núcleo do Bloco de Estremoz saúda o núcleo da Amnistia.

Palavras para quê?

Dia 29 - Todos e todas a Lisboa !

A taxa de desemprego continua a crescer. Já vamos nos 10,5%, de acordo com o Eurostat, o que nos coloca no 4º lugar dos países europeus com maior índice de desemprego. Isto significa que há 600 mil pessoas sem emprego, o que significa que em termos efectivos o número é muito superior. Estes valores quase que triplicaram nos últimos 10 anos: no final de 1999 existiam 215,2 mil desempregado/as.
Daqui resulta a evidência de que as politicas económicas aplicadas nesta década foram um absoluto desastre social. É o falhanço da economia, cujo produto está hoje aos níveis de 2005 e divergiu nestes 10 anos dos restantes países europeus, que tornam Portugal vulnerável ao ataque especulativo sem escrúpulos dos mercados internacionais, provocando o aumento da taxa de juro da dívida pública.
E perante os ataques especulativos que debilitam ainda mais a economia qual é a resposta do Governo? É aplicar a receita do desastre social, em aliança com a direita na reinvenção de um novo Bloco Central. Esta receita é simples: desistir de uma economia que crie emprego e aumente o poder de compra e penalizar quem está no desemprego e é mais pobre através do corte das prestações sociais.
O liberalismo económico não pode ser a resposta à crise gerada pelas políticas liberais.
Nem podem os responsáveis pela crise ganhar com a crise. É inaceitável que o sistema financeiro, que recebeu milhares de milhões dos contribuintes a taxas de juro reduzidas, agora empreste dinheiro aos países a taxas de juro elevadas, agravando a situação financeira dos Estados ao mesmo tempo que apresenta lucros altos nos picos da crise.
Na RTP, Sócrates continua a vislumbrar “sinais positivos” nesta crise e assume o papel de fazer as reformas em nome da direita. Esta, por seu turno, aguarda a melhor altura para lhe arrebatar o poder e “continuar a obra”…
Mas estas políticas de desastre social não são inevitáveis. A 29 de Maio, em Lisboa, as vítimas destas políticas tem de estar presentes e fazer ouvir a sua voz na luta por alternativas contra esta política de austeridade.

Luis Mariano

quinta-feira, 29 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mais do mesmo?

A Feira já faz parte do nosso imaginário como uma das maiores realizações do concelho e da região, mas…

As actividades culturais são cada vez mais desligadas da realidade do nosso Alentejo e são “compradas” chave na mão em pacotes ditos culturais sem qualquer nexo.

Para além dos concertos – que não são entusiasmantes… - a Feira toca mais directamente a quem por ela espera para dinamizar ou realizar algum tipo de negócio.

São os chamados visitantes profissionais.

Julgo que ano após ano os negócios realizados serão cada vez menos. Nos dias da internet ninguém vai a uma feira para fazer o negócio da sua vida.

As coisas decidem-se noutros areópagos.

Em relação ao artesanato vai continuar o mesmo problema: os estremocenses estão fartos de saber o que são as bilhas e os bonecos de Estremoz, normalmente todos temos um em casa.

A dinamização deste sector – com bastante impacto no débil tecido económico do concelho – deveria passar por apoios à exportação e divulgação internacional.

A divulgação da FIAPE (com os tradicionais pendões de plástico que não chamam a atenção de ninguém) foi feita apenas nos concelhos limítrofes.

Assim estamos a levar o “cacho de bananas para a Madeira”.

Divulga-se a nossa cultura junto dos que já a conhecem…

Assim, parece-me que é mais uma edição para marcar o ponto sem qualquer entusiasmo e objectivo definido.

Os artesãos vão tornar a mostrar os seus produtos que poucos vão comprar, os visitantes de fim de semana vão demandar a cidade na sua habitual “voltinha dos tristes”, os profissionais vão continuar a queixar-se da crise do sector, a Câmara vai atirar as culpas para a Ovibeja que desvia a “clientela” embora considerando o evento um grande sucesso e, assim, todos continuarão a ser felizes… cada um à sua maneira.

Para o ano há mais. Igual como sempre. Sem imaginação. Sem coragem de mudar. Sem envolver as populações.

A todos e a todas uma boa FIAPE!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dia Internacional dos Ciganos

Os ciganos em Portugal

O dia 8 de Abril foi oficializado, em 1971, no Congresso Mundial de Ciganos em Londres, como o Dia Internacional dos Ciganos, tendo sido aceite pela maioria das associações de comunidades ciganas, com vista à promoção da sua cultura.
Existe uma lei de 10 de Novembro de 1708, de D. João V, proibindo qualquer pessoa de usar traje, língua ou geringonça de Ciganos (Torre do Tombo, Gavetas, Gav. 2, mç. 4, doc. 42. Código de referência PT/TT/GAV/2/4/42).
Trata-se de uma lei significativa para o conhecimento da condição desta minoria no nosso país.
Estimam-se em 50.000 os ciganos dispersos pelo país agregando-se, cerca de um terço, na região de Lisboa e Setúbal.
Recentes estudos na área das ciências humanas e sociais apontam a etnia cigana como o caso mais duradouro e persistente da discriminação racista e xenófoba no nosso país.
A etnia cigana, conhecida pela sua visibilidade negativa, é ainda muito ignorada e desconhecida na sua história, cultura e costumes.
Sendo um povo ágrafo não é fácil saber dados exactos sobre a sua história.
Os ciganos, povo nómada ou seminómada, que os estudiosos - apoiados em relatos literários, estudos linguísticos ou antropológicos - dizem ser oriundos do Norte da Índia, são expulsos desse território no séc. XIII.
A sua chegada a Portugal está sinalizada pelo menos desde o séc. XV.
Da sua presença entre nós encontramos o primeiro testemunho literário em Gil Vicente na peça” A farsa das Ciganas ” representada em 1521, em Évora, na corte de D. João III, e em muita documentação posterior.
(in site da Torre do Tombo)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Dar dignidade a quem vive em Santiago e nas Quintinhas


Com a falha total dos poderes autárquicos em resolver a questão da habitação em Estremoz, o Bloco de Esquerda tomou a iniciativa de propor em PIDDAC a atribuição de 1.000.000 de Euros para a reconversão destas zonas deprimidas social e culturalmente.

Bloco leva ao Parlamento a "chaga" das casas degradadas

domingo, 14 de março de 2010

Pobre Orçamento...

Pergunta o jornal ECOS se o orçamento municipal se justifica.
Estremoz tem sido tão maltratada que até se justificava o dobro da verba proposta!
O problema não é esse.
O que é necessário saber é se o Município de Estremoz tem capacidade para gerar receitas que cubram estas despesas.
Vai-se endividar? Vai vender património municipal?
Não conheço em detalhe o Orçamento apresentado porque com este executivo municipal a informação não chega aos cidadãos. Por exemplo: no site da CME o último documento de gestão publicado, data de … Setembro de 2009 !!
Outros municípios vizinhos disponibilizam todos os documentos em discussão assim como os já aprovados nos respectivos órgãos.
Mas voltemos ao Orçamento para 2010.
Todos os investimentos propostos são geralmente simpáticos e necessários, porém há um que me cheira a teimosia e fanfarronice: a Zona Industrial de Arcos.
Numa conjuntura de grave crise económica, de isolamento face ao Terreiro do Paço e ao litoral em geral (não sei se o “projecto corredor azul” vai resolver este problema), numa situação em que os empresários não pensam em investir, numa zona isolada e sem tradições industriais, num contexto de deslocalização acelerada de indústrias para outros “paraísos laborais”, Luis Mourinha acredita piamente que a indústria vai florescer na freguesia dos Arcos !!!
Se olharmos para outras zonas industriais da mesma área geográfica teremos uma visão bem concreta do que irá ser esta Zona Industrial.
Por outro lado, falta a este Orçamento uma preocupação social para com as famílias que vivem em condições infra-humanas no concelho: falo principalmente dos reformados e idosos, dos jovens à procura de habitação para constituir família. Falo dessas duas chagas abertas no coração da cidade que são o Bairro de Santiago e as Quintinhas.
Para estes munícipes o Orçamento de Mourinha não tem uma palavra de esperança.
Vão continuar a viver nos quartéis e nas barracas, sem água, sem luz, sem esgotos, sem esperança…
É por saber que iria ser assim, que o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda inscreveu na sua proposta de PIDDAC a verba de 1.000.000 de euros para a recuperação destes bairros. Já sabemos a posição de Mourinha. Aguardamos agora a decisão de Sócrates…

Luis Mariano

Geminação Montargil - Olivença

Ao defender a cultura portuguesa que mesmo decorridos séculos é parte inseparável das raízes oliventinas, a Associação Além Guadiana está igualmente a prestar um relevante serviço em especial à memória do povo alentejano. «Não nos podemos esquecer que aos dois séculos de soberania espanhola se contrapõem cinco séculos de soberania portuguesa» e que querer varrer da memória colectiva de UM POVO as suas tradições - estamos a falar em termos "etnofolclóricos" - é um crime de lesa cultura. Até porque a "verdade antropológica" desse mesmo povo nada tem a ver com questões de soberania.

Chamam a Olivença a cidade das duas culturas, o que pode significar uma enorme riqueza cultural, se a sua junção se fez naturalmente, por obra e graça da vontade popular, sem quaisquer peias, sem quaisquer amarras de ordem política a qual, sendo embora a ciência que governa o povo, não coabita lá muito bem com as coisas do espírito.

Entretanto, e mudando de assunto, não conheço Olivença, nunca estive em Olivença, mas em Montargil esteve um oliventino, o conceituado médico Dr. José Guerrero, que pela sua postura humanista, tendo em cada utente um amigo, ao partir deixou saudades. E estou convicto, só o seu apego à família - todos os dias ia ficar a casa - o levou a ir para mais perto.

Que me seja, pois, permitido saudá-lo, aqui de Montargil, deste pedaço do Alentejo que um historiador e um sociólogo consideraram «ser a junção da alma alentejana com a charneca ribatejana».

Lino Mendes

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Quando se regressa a casa a partir das 23,30h e se viaja a partir da estação de Entrecampos, basta um simples olhar de soslaio para se constatar que são elas a esmagadora maioria das passageiras.
São trabalhadoras de serviços menos qualificados, limpezas, serviço doméstico, ajudantes de cozinha, muitas delas imigrantes moradoras nas zonas periféricas da cidade de Lisboa ou da margem sul.
E, se fizermos o percurso matinal, desde os barcos de Cacilhas aos comboios de Sintra, do Barreiro ou de Setúbal encontraremos quadro semelhante a partir das 6,30 da manhã.
No Desemprego...
Quando olhamos para as estatísticas do desemprego verificamos que elas são a maioria dos desempregados (63%) das mais elevadas da Europa. Tal situação verifica-se tanto na procura do primeiro emprego como na procura de novo emprego.
A cada dia que passa, é mais difícil decifrar o impacto da taxa de desemprego nas mulheres.
São as trabalhadoras da Alisuper, da Maconde, da Lear, e de tantas e tantas empresas têxteis de vestuário e calçado, de tantas e tantas empresas de serviços e de hotelaria, as primeiras a receber a "carta" que dita o seu despedimento.
São as jovens mulheres licenciadas as que mais dificuldades têm de ingressar na profissão compatível com o seu grau académico.
Na discriminação salarial...
Quando olhamos para os salários em Portugal verificamos que elas recebem menos 18,7% do que os homens.
E, não se pense que é apenas no tão falado sector da cortiça que tal discriminação existe. Neste sector o escândalo ultrapassa os limites, porque a discriminação, para além de instituída pelo patrão, tem sido sindicalmente consentida e ilegalmente confirmada pelo Ministério do Trabalho. As desigualdades salariais também ocorrem desde os gestores aos estagiários. No primeiro caso o valor é de 2.342,8€ para os homens, e 1.660,7€ para as mulheres. No segundo caso e de 482,5€ contra 453,1 para homens e mulheres respectivamente.
Na representação...
Quando olhamos para os cargos de topo do Estado e da Administração Pública as desigualdades tornam-se evidentes, apenas alguns exemplos; No Governo elas são 10 em 55; no Conselho de Estado 1 em 18; na AR 68 em 230; na presidência das Autarquias 21 em 308.
Na Administração Pública são apenas 28,9% nos cargos de topo, quando nos níveis inferiores são a esmagadora maioria.
Na violência doméstica...
Mas a vergonha maior está nos dados dos últimos seis anos em matéria de violência doméstica: 201 mulheres mortas às mãos dos seus maridos ou companheiros.
São de todos os extractos sociais. A violência doméstica não tem classe social ou etnia próprias, como o não têm quaisquer outras formas de opressão sobre as mulheres.
E é porque esta realidade crua e dura que, atravessando um século de história, continua teimosamente a persistir, não obstante avanços inquestionáveis que se têm vindo a fazer, que hoje 8 de Março de 2010 a exigência é a de recolocar o feminismo na ordem do dia.
A superação da sociedade patriarcal parida e aprofundada pelo capitalismo é inquestionavelmente uma das condições da esquerda socialista, não circunscrita apenas a um partido ou espaço nacional.
Abusando um pouco de Marx direi que o comando terá que ser " Mulheres de todo o Mundo UNI-VOS".
Mariana Aiveca - Deputada do Bloco de Esquerda

quinta-feira, 4 de março de 2010

Teatro Legislativo na Universidade de Évora

Dia 9 de Março pelas 20.00 horas no Auditório 1 do Colégio Luis Verney da Universidade de Évora, o deputado do BE José Soeiro e restante equipa vão "levar à cena" mais um episódio do teatro legislativo...

terça-feira, 2 de março de 2010

Catarina Martins em Évora

Teatro Garcia de Resende 4 de Março 21,00 horas

Nos últimos 10 anos Portugal assistiu a alterações profundas na dinâmica cultural do país, que não foram, no entanto, acompanhadas do necessário investimento financeiro, nem de corpo legislativo que assegurasse o serviço público que se exige nesta área.
O Bloco de Esquerda assumiu como eixos prioritários na política cultural o acesso das populações à fruição de bens culturais e a meios de produção artística e cultural, a salvaguarda do património cultural material e imaterial, e os direitos laborais dos profissionais do sector cultural.
Estes eixos exigem a tomada de posições, e a elaboração de iniciativas legislativas, relativas a modelos de financiamento da cultura, cartas de missão de equipamentos culturais e estatuto e certificação profissionais.
Para que este percurso ambicioso se faça com conhecimento do terreno e com os contributos dos agentes culturais locais e nacionais, a deputada Catarina Martins, responsável pela área da Cultura na Assembleia da República, irá promover um conjunto de sessões públicas descentralizadas sobre política cultural, percorrendo os vários distritos do país, entre os meses de Janeiro a Março.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda e o Bloco de Esquerda do Distrito de Évora gostariam, deste modo, de o/a convidar a estar presente na sessão pública a realizar no próximo dia 4 de Março no Teatro Garcia de Resende pelas 21.00 horas.
Nesta sessão debateremos questões relacionadas com a criação de cartas de missão para os equipamentos culturais, incluindo definição de objectivos de programação, serviços pedagógicos, requisitos técnicos e humanos, contratos-programa de financiamento e concursos para direcção, assim como questões relativas ao equilíbrio entre regulamentação nacional e autonomia local, regulamentação de redes e financiamentos directos e indirectos à criação e difusão artística.

Olivença: As décimas do Carlos Luna

I

Isso vê-se na sua Arte

Onde se guarda a memória.

Em cada canto é notória

A sua Portugalidade.

E não é por vaidade,

A todos dá uma lição;

Que não haja confusão:

OLIVENÇA É UMA CIDADE.

II

Em cada rua escondida,

Na velha malha urbana

Parede ou nicho se ufana

De lusa ser nascida.

Mesmo que perseguida

A sua original pureza,

Uma coisa é uma certeza

E há que ter em atenção:

Olivença é povoação

ONDE ABUNDA A BELEZA!

III

Muitos vão ao engano

E não vêem claramente

Que está sempre presente

O seu estilo alentejano

Em todo o casario raiano.

Não é apenas saudade!

É não ver a realidade,

E há que vê-la de frente.

Tudo seria diferente

COM POLÍTICA DE VERDADE!

IV

Esconde-se na mentira

O que se deveria saber:

Há quem queira esconder

(do Minho até Tavira)

E perdoar a quem tira.

Espanha, não é Nobreza

Mas um sinal de Avareza

Manter assim a ofensa:

Esta terra de Olivença

DEVERIA SER PORTUGUESA

Estremoz, 02-Março-2010

Carlos Eduardo da Cruz Luna

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tragédia na Madeira, afinal o BE tinha razão!

Apesar de Alberto João Jardim ter insultado o deputado regional do Bloco de Esquerda Roberto Almada e o dirigente da Quercus Helder Spínola quando estes afirmaram que a tragédia se devia à falta de planeamento urbanístico do Governo Regional da Madeira, a verdade é como a cortiça: anda sempre à tona...
Por outro lado, o deputado municipal de Castelo Branco e especialista em meteorologia Costa Alves, já questionou o porquê de não haver na Madeira radares metereológicos como os que existem na costa continental.
Veja neste vídeo (transmitido na RTP em 2008) a previsão do que - infelizmente - aconteceu.
Como é que o governo de Jardim pode dizer que não sabia?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Água pública e portuguesa...

O Bloco tem manifestado repetidamente a sua preocupação face ao negócio da água. Um bem que é universal, escasso e público não deveria ser tratado como uma mercadoria que se pode negociar ao sabor de contratos e preços de mercado.

Já alertámos para o facto de as Águas de Portugal terem 51% da parceria o que significa que se o Governo decidir privatizar esta empresa também as suas participadas o serão com os custos a incidir ainda mais no consumidor…

Acresce a isto que o actual Presidente da Câmara já esteve envolvido numa empresa espanhola de gestão de águas e resíduos, embora afirme que actualmente já deixou o “negócio”.

Quando as Grandes Opções do Plano do Município de Estremoz para 2010 definem como objectivo (ponto 4) a rescisão do contrato com a Águas do Centro Alentejo e afirma que “Procuraremos, no entanto, uma solução alternativa que permita aos Estremocenses usufruírem de uma rede de abastecimento de águas e de saneamento…” quer dizer exactamente o quê?

Sabendo que o contrato assinado pelo anterior executivo prevê que “A resolução da parceria por um ou mais dos municípios que integram os segundos outorgantes, implica o pagamento de uma indemnização à EGP, de montante calculado com base no valor do investimento correspondente ainda não reintegrado e dos prejuízos decorrentes da alteração da configuração do Sistema, nomeadamente os decorrentes do cálculo da sua quota-parte nos desvios tarifários pendentes e do ressarcimento dos lucros cessantes para a Parceria, valor que será calculado pela EGP e validado por auditor independente” e que o investimento para o Concelho de Estremoz atinge 10,5 milhões de euros (algum dele já lançado em concurso público), quer isto dizer que Luis Mourinha vai pagar a indemnização?

E o sistema vai ser entregue a quem?

A conclusão de que o sistema proposto pela A.C.Alentejo não é bom, reside em critérios técnicos ou políticos?

Luis Mourinha vai fazer junto dos parceiros da A.C.Alentejo uma campanha pela defesa da água pública, de qualidade e economicamente acessível aos mais desfavorecidos ou vai “rasgar o contrato” para o entregar a outro?

Passamos da água castelo a água Castela?

Luis Mariano


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tributo a José Afonso


A morte nunca deveria ser notícia. Mas foi. Em Fevereiro de 87 toda a comunicação social noticiava a morte do maior compositor da música portuguesa.
José Afonso tornou-se símbolo da alvorada de Abril por mérito próprio. Ele foi a voz da juventude não rasca. Foi a voz dos que combateram a ditadura com as armas do pensamento. Da inteligência. Foi a voz da cultura alternativa. Foi a voz.
Morreu numa manhã fria de Fevereiro. Hoje sentimos que afinal ele continua por aí. Na voz dos novos autores. Nas melodias dos novos grupos.
Continuamos com a sua música, porque a sua música é nova, e a sua poesia não é letra morta.
Vamos continuar a lutar pela qualidade dos produtos culturais, como ele o fez.
O lixo sonoro, literário e social que polui os nossos sentidos, que se lixe!
Vamos comemorar a inteligência. A mais nobre demonstração de cidadania.
A 23 de Fevereiro de 1987, em pleno Inverno mas no Outono da vida, morreu Zeca Afonso.
Num leito anónimo do Hospital de Setúbal, pelas 3 horas da madrugada, morreu o cantor, morreu o amigo, morreu o companheiro, morreu o Zeca.
Relembrar o Zeca hoje é mais que tudo isto. É, sobretudo, lembrar as suas últimas palavras:
"Não posso parar".
Por isso empunhamos a tua bandeira porque a luta continua, serena e firme, contigo bem vivo junto de nós, Zeca Afonso.
Manuel Silvestre

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Economias..


Dia 1 de Março, na Universidade de Évora, Francisco Louçã e Castro Caldas apresentam o livro "Economias".
A apresentação está a cargo do Prof. Manuel Branco do Departamento de Economia da Universidade.
A organização é da livraria Na Sombra Dos Livros.
Nesta sociedade que nos dizem ser organizada, aconselhamos a leitura desta obra que abre pistas e caminhos para dissecar este regime neo-liberal que nos conduz segura e paulatinamente para o abismo...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Visita da deputada Rita Calvário ao Vimieiro e Estremoz

Rita Calvário e Ricardo Coelho
Sessão de debate em Estremoz
Museu Rural do Vimieiro

Não compreender que a defesa do meio ambiente se entrelaça com a justiça na distribuição de recursos, que os mais pobres são quem mais sofre com a crise ambiental e que as questões ambientais são questões sociais é cair no vazio da inacção que apenas beneficia um capitalismo assente no crescimento contínuo do consumo, legitimado pelo fetichismo da mercadoria. Isto nada tem a ver com a esquerda, que está sempre do lado da acção transformadora e emancipatória e da verdade. Daí que a justiça climática seja uma luta da esquerda moderna, sendo o obscurantismo negacionista apanágio da direita conservadora.
(Ricardo Coelho)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Porque falhou Copenhaga?

Aproveitando a presença da nossa camarada Rita Calvário os núcleos de Estremoz e de Arraiolos do Bloco vão organizar uma visita ao Museu Rural do Vimieiro e um almoço no Restaurante PICO (Vimieiro).
O local de encontro será no Jardim do Vimieiro pelas 12,00 horas.
Se pretenderes almoçar connosco podes ligar para o 925 417 133 até às 18.00 de 6ª feira 19 de Fevereiro.
Às 16,30 horas no Até Jazz para além do debate será exibido um filme sobre o Ambiente.
A entrada é livre.
Não faltes !

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Mais 150 pelo alargamento do Subsídio de Desemprego






Hoje, no Mercado de Estremoz, o núcleo do Bloco teve o apoio de 150 estremocences que nos confiaram a sua assinatura para a petição do alargamento do subsídio de desemprego.