quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nem o Mercado abre nem a gente almoça...

Independentemente da justeza da medida, que naturalmente teria como objectivo compensar os vendedores pela baixa de negócio durante as obras de remodelação da praça do peixe, o que verdadeiramente está em causa é a irresponsabilidade da gestão municipal perante o deslizar da obra.

Independentemente também das concepções paisagísticas ou arquitectónicas do projecto, o Mercado está construído e deveria abrir de imediato.

Se há problemas a resolver, então que se resolvam e se informe a população e os principais interessados (os vendedores e os consumidores) sobre a natureza, causas e extensão do problema.

Mas o que, quanto a mim, este problema revela – e isso é o mais importante – é o facilitismo com que se gerem os dinheiros públicos, numa interminável sucessão de disparates técnico-burucráticos em que o munícipe sai sempre a perder.

É fácil gerir com o dinheiro dos outros e o Município de Estremoz tem demonstrado nos últimos mandatos (Mourinha/CDU + Fateixa/PS + Mourinha/Mietz) um facilitismo e uma tendência para o endividamento que não ajudam, em nada, ao desenvolvimento do concelho.

O centro histórico está a cair mas criam-se novas áreas de construção a leste da cidade. Não há dinheiro para nada mas vai-se arranjar algum para a praça de touros. As barracas do Rossio não enobrecem a cidade mas o Mercado não abre. Anulam-se obras estruturantes e dá-se primazia à compra desenfreada (e ferida de várias ilegalidades) de imóveis.

As freguesias não se desenvolvem. Tudo continua a girar à volta do Rossio…

A questão da não abertura do Mercado é apenas mais um exemplo: Está quase a fazer dois anos que se paga uma compensação aos vendedores de peixe. Mas a realidade é que se está a acabar com um negócio útil para a cidade e a afastar os consumidores do mercado tradicional.

Discriminações e integrações...

A cidade de Estremoz não integra melhor ou pior os “seus ciganos” do que outros aglomerados vizinhos, não há cidades ou povos mais propensos ao racismo do que outros.

O que pode haver é um conjunto de factores sociais e políticos e, principalmente, económicos que determinem o despoletar desse racismo cinzento, rasteiro e quase sempre escondido que existe em largos sectores da população. Foi assim em França com a deportação de cidadãos europeus em massa (com base num critério exclusivamente étnico) como não se via desde o tempo do nazismo…

Em Portugal, apesar da boa vontade de alguns departamentos como o ACIDI ou de ONG’s como a Amnistia Internacional ou a Obra Católica das Migrações, não há um plano coerente de integração, compreensão e apoio à comunidade cigana.

Estremoz é um bom exemplo de como a falta de salubridade e recolha deficiente de lixo nunca foi notícia nas Quintinhas, mas assim que os moradores pegaram fogo aos contentores do lixo porque ninguém os recolhia “saltaram” de imediato para a primeira página da imprensa local…

Ah! Esses ciganos…

Enquanto a comunidade estiver encurralada e encafuada em quartéis miseráveis no Bairro de Santiago ou em bairros de lata como nas Quintinhas, ou ainda por aí acampados ao deus dará, os poderes municipais olham para o lado e assobiam para o ar.

Não é de agora. A anterior gestão autárquica, e a anterior, e a que lhe antecedeu fizeram o mesmo. Nada!

Em Santiago a Câmara até pintou as paredes dos quartéis, fraco remedeio para famílias inteiras a “viver” numa área de 5x5 metros, sem água e sem esgotos…

Chama-se a isto querer tapar o sol com uma peneira.

Estas pessoas precisam é de casa.

Mas Luis Mourinha lá vai seguindo, cantando e rindo, o importante, claro está, é a praça de touros…

Reabilitação urbana? Dar casa a quem dela precisa?

Pois, pois, isso era no programa eleitoral do MIETZ. Lembram-se?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Touros com praça - Gente sem casa

Quando, mais por obrigações administrativas do que por vontade política, Luis Mourinha lança no concelho a Agenda 21 Local estava longe de incluir a praça de touros neste processo de decisão.

É muito interessante dar (aparentemente) voz às populações mas depois decidir no silêncio e no segredo dos gabinetes…

Cabe aqui referir que não sou contra as touradas. A festa brava tem tradições culturais remotas que tem o seu espaço e raízes no nosso Alentejo. Mas sou contra que os dinheiros públicos (que vem dos nossos impostos – via Lisboa ou Bruxelas) sejam gastos com touradas quando há tanta gente a precisar de casa e de acessibilidades.

É uma questão de prioridades !

A decisão de Mourinha (a pedido insistente do CDS e do PSD) de investir dois milhões e meio de euros, meio milhão dos quais da CME (como termo de comparação a CME viu cortados do seu orçamento cerca de 300 mil euros via PEC), na recuperação de um imóvel de reduzido interesse para a cidade é uma decisão que em nada dignifica o executivo e a cidade.

A verificar-se a tendência europeia de restringir a prática taurina (até em Barcelona a tourada já é proibida) vamos enterrar dinheiro em mais um elefante branco…

No centro da cidade e nos bairros históricos há pessoas que nem WC tem em casa!

O Museu da Alfaia está fechado, as associações vêm cortados subsídios com base no mau humor do Sr. Presidente, o Rossio continua um gigantesco parque de estacionamento, o mercado não abre, mas Mourinha vai-se entretendo com outras coisas, digamos, mais “imobiliárias”.

A propósito da possível utilização da praça para outros fins que não o espectáculo taurino, deixem-me rir: o parque de exposições está às moscas mas, vai daí, cria-se mais um pavilhão multiusos…

O contrato com a duração de 25 anos é lesivo dos interesses do contribuinte. O investimento proveniente de verbas destinadas à regeneração urbana é aviltante para quem não tem casa.

Estremoz volta a perder.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sobre o preço do Gasóleo

A formação dos preços dos produtos petrolíferos no nosso país (para além do ISP e do IVA) deve-se ao permanente fechar de olhos dos sucessivos governos perante os desmandos dos grandes impérios petrolíferos.

Em primeiro lugar pagamos um preço enorme em vidas no Iraque (mais de 120.000 mortos por causa do petróleo) e um preço irreversível em crimes ambientais como recentemente no Golfo do México.

Mas voltemos aos preços: para além de só a Grécia ter preços superiores aos nossos, mesmo o que pagamos após impostos faz de nós o quinto país a pagar o peço (PVP) mais elevado da união europeia, sendo que nos últimos doze meses aumentou 15%.

E se é verdade que se as sucessivas portarias que regulamentam o ISP tem feito subir este imposto (Em 2004 era de 0,2998 €/lt e em 2008 era de 0,3644 €/lt…) não é menos verdade que a voragem e cartelização das petrolíferas fazem o resto.

Quem fica a perder são os utentes e a economia que fica cada vez menos competitiva face ao exterior.

(Também o gás desceu de preço 16% na união europeia e apenas 5,5% em Portugal).

Em 2008 assistimos à farsa das investigações da Autoridade da Concorrência face à cartelização dos preços com o primeiro governo Sócrates a fazer de ingénuo face ao problema. Mas seria necessário fazer uma investigação ou bastava percorrer a auto-estrada entre Braga e Faro para perceber que os preços entre todas as companhias eram os mesmos?

Ontem a Galp decidiu vender gasóleo ao preço dos supermercados (só em alguns sítios e à experiência): o preço a praticar será… igual ao da BP !

Mais trabalho para a AdC…

Reclama-se agora que os preços dos refinados não acompanham o preço do barril de crude: mas já se esqueceram que o produto é comercializado em dólares e na Europa as petrolíferas ganham milhões só no câmbio?

Com a desvalorização da moeda norte americana, a subida do crude em euros é cerca de 1/3 da subida do preço em dólares. Não tem razão pois, as petrolíferas que vendem na Europa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

As nossas prioridades

O Bloco não terá o que noutras latitudes se chama a “reentrè” pela simples razão de que não parou. Mais de quarenta comícios de verão atestam o empenho do BE em tomar um papel activo no esclarecimento da opinião pública e na denúncia dos acordos entre PS e PSD no que toca ao PEC 1 e 2 e, em breve ao PEC 3.

Este é o nosso primeiro compromisso com o eleitorado: disputar a opinião pública e participar na construção de maiorias sociais de esquerda.

Este juntar de forças para lutar contra as medidas de austeridade e contra a ideologia do sacrifício é a primeira condição para alargar esta maioria social de esquerda tão necessária à aplicação de medidas justas e equilibradas de desenvolvimento e distribuição de riqueza.

De entre estas medidas destaco a taxação efectiva de 25% de IRC para a banca; um plano nacional de reabilitação urbana que gere emprego e acabe com este ciclo de especulação entre banca e empreiteiros, que crie habitação para quem dela precise e melhore as condições de vida nas cidades; a taxação das grandes fortunas como meio de financiar a Segurança Social; a taxação das transferências para os off-shores (a este respeito, só no primeiro semestre deste ano “voaram” em direcção aos paraísos fiscais, onde não pagam impostos, 1,2 mil milhões de euros).

O Bloco vai ainda batalhar no Parlamento pela criação de um banco de terras gerido pelo Estado que dê a possibilidade às novas gerações de se dedicarem à agricultura, que penalize o abandono das terras e que valorize a produção agrícola nacional.

A eleição presidencial será outra das nossas prioridades. Vamos bater-nos pela eleição de Manuel Alegre, “um candidato independente, com voz própria em relação ao que foi a trajectória da austeridade e que centra a sua campanha na defesa dos mais frágeis da sociedade portuguesa" como recentemente referiu F. Louçã em entrevista ao DN.

São estas as prioridades do BE para o ciclo político que se avizinha.

Luis Mariano